Breve História do Futebol Feminino no Brasil

O futebol feminino começou no Brasil em 1921, de lá pra cá muita coisa mudou, mas outras nem tanto. São outras regras, mas muitos costumes ainda se mantém.

História Futebol Feminino Brasil

O futebol chegou ao Brasil pelas mãos do jovem anglo-brasileiro, Charles Miller. O jovem de pais ingleses, nasceu em São Paulo em 1974, foi estudar na Inglaterra aos 10 anos de idade e quando voltou, trouxe na sua bagagem duas bolas, um par de chuteiras, uniformes usados e um livro com as regras do esporte. No dia 14 de abril de 1895 foi realizada a primeira partida de futebol do país, no Brás em São Paulo, e o resto, como já sabemos, é história…

Futebol feminino no Brasil – um começo conturbado

A primeira partida oficial feminina no Brasil só foi acontecer mais de 20 anos depois, em 1921 também em São Paulo. Como é de se imaginar pela época, a modalidade feminina não era bem quista e em 1941 veio a sua proibição, mesmo que um pouco discreta, em forma de decreto. O Decreto 3.199 trazia o seguinte texto em seu artigo 54:

“Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.”

Ou seja, ficou decidido que o Conselho Nacional de Desportos era o responsável por determinar quais modalidades eram compatíveis ou não com a “natureza feminina” – não precisa dizer mais nada, né?! Já em 1965, em plena Ditadura Militar, veio a proibição oficial. A deliberação 07/65 trazia o seguinte texto nos artigos 1° e 2°:

“Art.1° Às mulheres se permitirá a prática de desportos na forma, modalidades e condições estabelecidas pelas entidades internacionais dirigentes de cada desporto, inclusive em competições, observado o disposto na presente deliberação.

Art.2° Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo-aquático, pólo, rugby, halterofilismo e baseball.”

Desde então o futebol passou a ser jogado de forma clandestina pelas mulheres até que a sua proibição fosse suspensa em 1979. Apesar disso, a modalidade só foi regulamentada quase cinco anos depois, em 1983. Mesmo assim a prática profissional continuou proibida, bem como não era permitido jogar contra equipes masculinas e não podia existir times mistos.

As regras do futebol feminino

Nessa época, algumas regras também eram diferentes do futebol masculino. Vejamos:

Diferenças entre futebol feminino e masculino em 1983:

FemininoMasculino
Medidas do campo110 x 75m120 x 90m
Bola62-65cm e 340-390g68-70cm e 410-450g
Tempo2 tempos de 35′2 tempos de 45′

Como tudo no mundo, as regras do futebol também evoluíram e atualmente não há diferenças regulamentares entre as modalidades masculinas e femininas.

Regras iguais, mas e aí?!

Infelizmente, hoje em dia as regras podem até ser as mesmas, mas a igualdade entre o futebol feminino e o masculino acaba aqui. A diferença estrutural de investimento, visibilidade e reconhecimento das duas modalidades é gigantesca. Por exemplo, o prêmio geral da última copa feminina foi de U$ 30 milhões, enquanto a premiação masculina foi de U$ 400 milhões. Outro exemplo: o maior salário feminino está em torno de € 400 mil por ano, enquanto de um homem é €85 milhões (!!!).

Tristemente esse quadro é um caso de “o ovo ou a galinha”: não há tanta visibilidade para o futebol feminino, logo não há investimento, e se não tem investimento, não tem visibilidade… E, apesar de estarmos em pleno 2020, a máxima de 60 anos atrás de que “futebol não é coisa de mulher” ainda persiste de alguma maneira, um círculo vicioso que faz com que a modalidade esteja muito aquém do seu potencial.

O futuro do futebol feminino no Brasil – existe esperança!

Mas calma, que nem tudo são lágrimas! Eis que finalmente as coisas começaram a mudar em terras tupiniquins e a CBF resolveu dar mais destaque para a modalidade feminina. Em 2019 a CBF obrigou todos os clubes da série A do Campeonato Brasileiro a formarem um time feminino adulto e de base, e que esses disputem, ao menos, um campeonato oficial por ano. Essa nova regra segue uma decisão já tomada pela Conmebol que adotou a mesma medida para os times que disputam o Campeonato Sul-americano e a Copa Libertadores.

Podemos dizer que esse foi um pequeno passo para a CBF e um grande passo para o futebol feminino no país. Obviamente as enormes diferenças estruturais continuam existindo, mas pelo menos já existe uma vontade de mudança que parte do orgão máximo da modalidade no Brasil. Agora cabe a nós continuarmos apoiando, continuar cobrando e continuar jogando para que o futebol feminino no Brasil chegue no mais alto dos patamares e quem sabe ganhemos uma taça Copa do Mundo?!

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